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PF prende suspeito com R$ 700 mil desviados em ataque hacker a contas vinculadas ao Banco Central


A Polícia Federal prendeu um homem acusado de envolvimento em um ataque cibernético que resultou no desvio de R$ 700 mil de contas conectadas ao sistema do Banco Central do Brasil (BC). A ação faz parte de uma investigação em andamento sobre crimes digitais e fraudes financeiras que têm preocupado autoridades e instituições financeiras.

O caso, que veio a público nesta quarta-feira (24), acende o alerta sobre a vulnerabilidade de sistemas ligados a grandes volumes de dinheiro e a necessidade urgente de reforço em segurança digital tanto no setor público quanto privado.


Como ocorreu o ataque?

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, o ataque cibernético teve como alvo contas vinculadas ao sistema financeiro nacional, que operam sob regulamentação e monitoramento do Banco Central.

Embora o BC não tenha sido diretamente invadido, a fraude envolveu o uso indevido de APIs (interfaces de programação) que fazem a ponte entre instituições financeiras e o sistema central. Essas brechas foram exploradas para acessar credenciais bancárias, transferir valores e lavar o dinheiro por meio de contas de terceiros.

A operação foi complexa e envolveu:

  • Uso de malwares e engenharia social para capturar senhas e logins;

  • Transferências em cadeia para dificultar o rastreamento;

  • Criação de empresas de fachada e contas laranjas;

  • Saques e movimentações rápidas para fugir da detecção automática do sistema.


Prisão e apreensão

O suspeito, preso em flagrante em um apartamento de alto padrão, estava de posse de aproximadamente R$ 700 mil, entre dinheiro vivo e valores bloqueados em contas digitais. Além disso, foram apreendidos:

  • Computadores e celulares com softwares de invasão;

  • Documentos falsos;

  • Cartões bancários emitidos em nome de terceiros;

  • Relatórios de movimentações financeiras com indícios de lavagem de dinheiro.

A prisão foi efetuada na cidade de São Paulo, mas a investigação aponta conexões em outros estados, incluindo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, indicando uma possível organização criminosa com atuação nacional.


Envolvimento do Banco Central

Em nota oficial, o Banco Central do Brasil afirmou que seus sistemas centrais não foram comprometidos, mas reconheceu que instituições parceiras podem ter sido vulneráveis a ataques externos, especialmente aquelas que oferecem integração digital com o Pix, TEDs e demais formas de pagamento.

O BC também informou que está cooperando com as autoridades policiais, oferecendo suporte técnico e auditorias internas para ajudar no rastreamento dos responsáveis.

“Não houve acesso direto ao sistema do Banco Central. O incidente envolve instituições financeiras e prestadores de serviço que se conectam ao ecossistema regulado”, diz o comunicado.


Aumento nos crimes cibernéticos

Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um crescimento preocupante nos casos de crimes cibernéticos financeiros. Segundo dados do CERT.br, mais de 1 bilhão de tentativas de ataques foram registradas em 2024, com foco especial em:

  • Fraudes bancárias online;

  • Phishing e clonagem de aplicativos;

  • Ransomware e sequestro de dados;

  • Invasão de sistemas de pagamento.

Especialistas em segurança digital alertam que a sofisticação dos criminosos tem superado a capacidade de resposta de muitas instituições, o que exige investimentos contínuos em tecnologia, treinamento e integração entre os órgãos de segurança pública e o setor bancário.


Como o cidadão pode se proteger?

Embora os ataques muitas vezes tenham como alvo instituições financeiras, o usuário final também precisa adotar boas práticas de segurança digital para evitar prejuízos:

  1. Evite clicar em links de e-mails ou mensagens suspeitas.

  2. Nunca compartilhe senhas ou códigos por telefone, SMS ou redes sociais.

  3. Ative a autenticação em duas etapas (2FA) em todos os aplicativos bancários.

  4. Use senhas fortes e únicas para cada conta digital.

  5. Atualize seus dispositivos e aplicativos regularmente.


A prisão do suspeito com R$ 700 mil desviados em ataques a contas conectadas ao Banco Central evidencia a crescente ameaça dos crimes cibernéticos no Brasil. Apesar de o sistema central do BC permanecer íntegro, o episódio reforça a necessidade de melhorar os protocolos de segurança digital nas instituições participantes do ecossistema financeiro.

Com a tecnologia avançando e os ataques se tornando cada vez mais sofisticados, investimentos em segurança cibernética não são mais opcionais — são uma exigência estratégica para garantir a confiança no sistema financeiro nacional.


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